O diretor da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, declarou que a “pirataria” de conteúdos audiovisuais pode ser classificado como crime altamente organizado, pois a atividade possibilita o branqueamento de capitais e “gera muito dinheiro”, completou, ao conceder entrevista durante o IV Colóquio Internacional sobre Pirataria de Conteúdos Digitais, realizado na sede da instituição, em Lisboa.
A venda e consumo ilegais dos conteúdos produzidos por empresas mediáticas locais está cada vez mais a pressionar as finanças destas entidades, pois dependem da subscrição dos acessos a esses serviços para manterem-se sustentáveis financeiramente. As entidades mais afetadas são os operadores de streaming, operadores de distribuição de TV e canais de TV por subscrição, principalmente os canais desportivos com transmissão em direto.
Cabreiro destacou que, em Portugal, o consumo de conteúdos audiovisuais de forma ilegal é elevado, e acrescenta que 34% dos jovens declaram aceder aos conteúdos por meio da pirataria. O serviço de programa temático de desporto, SportTV, informou à ERC que um terço dos lares portugueses consomem suas transmissões de forma ilegal e que esse é o maior problema para a sustentabilidade da empresa que o detém.
Contudo, a PJ ainda aposta na conscientização da população contra consumo ilegal de forma a reduzir os impactos financeiros às empresas de media e desestabilizar o comércio de acessos ilegais aos conteúdos. Há certa de um ano lançou campanha em parceria com a SportTV com o tema: “Não é só um jogo. É crime. És criminoso?”. Na forma mais direta, está em uso em alguns países, como a Inglaterra, França e Itália, modelos de bloqueio dos canais “piratas” geridos pelos próprios operadores e supervisionados pelas entidades reguladoras nacionais.
Com informações do DN e Lusa